Nos últimos meses, declarações do ministro Fernando Haddad reacenderam um debate antigo: o Brasil teria contadores demais e a reforma tributária ajudaria a “corrigir” isso. Antes, o prefeito Sandro Mabel também fez críticas públicas à categoria.
Como empresário contábil e líder do Movimento Contabilidade Consultiva, vejo um recado claro:
O governo tem um plano.
E esse plano não inclui o contador operacional.
O plano do governo: desintermediar você
A reforma cria a CBS e o IBS, traz o conceito de apuração assistida e concentra no estado parte do cálculo tributário. O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) anunciou investimentos bilionários para sustentar o que já foi chamado de um dos maiores sistemas tributários digitais do mundo.
O discurso oficial fala em simplificação.
Mas, na prática, o movimento é de desintermediação.
Se o seu papel for apenas:
- Apurar imposto
- Transmitir obrigação
- Gerar guia
- Cumprir rotina fiscal
Você está na zona de risco.
E não é uma ameaça ideológica. É estrutural.
A minha visão: o governo não quer acabar com você. Quer automatizar você
Existe uma diferença enorme.
O contador que atua como braço operacional do estado — carregando SPED, eSocial, obrigações acessórias — sempre foi uma engrenagem do sistema.
Agora, essa engrenagem está sendo substituída por tecnologia.
Mas aqui está o ponto que muita gente ainda não enxergou: A reforma não simplifica a gestão.
Ela complica.
O que vai explodir na mesa do empresário
Na minha visão, os próximos anos serão desafiadores para quem empreende:
1. Precificação vai virar campo minado
CBS e IBS são tributos “por fora”. Margem mal calculada vira prejuízo.
2. Crédito tributário vira estratégia
Não cumulatividade exige controle técnico e inteligência fiscal.
3. Fluxo de caixa muda completamente
Capital de giro e planejamento financeiro serão impactados.
4. Transição longa até 2033
Serão anos de ajustes, exceções e disputas setoriais.
Para você, o empresário vai enfrentar isso sozinho?
Não vai.
E é aqui que nasce a maior oportunidade da história recente da contabilidade.
Só vai sobreviver quem evoluir
Se você continuar vendendo execução, a tecnologia vai pressionar seus honorários. Se continuar esperando documento chegar para fechar mês, você vai competir com sistema.
Mas se você evoluir para:
- Estrategista financeiro
- Estruturador de precificação
- Simulador de cenários tributários
- Conselheiro de fluxo de caixa
- Mentor de crescimento
Você se torna indispensável.
Porque empresário não paga por guia.
Empresário paga por direção.
O divisor de águas
A reforma tributária é um divisor. Mas não entre “contadores e tecnologia”. É entre:
Contadores operacionais
e
Contadores estratégicos
Os primeiros vão sentir queda de margem, pressão de preço e perda de relevância.
Os segundos vão cobrar mais, crescer e se posicionar como parceiros estratégicos.
E essa transformação não é opcional. Ela já começou.
O governo tem um plano. E você?
O plano do governo é automatizar processos.
Qual é o seu plano?
Se for continuar fazendo o que sempre fez, o cenário não será favorável.
Mas se for assumir de vez o papel de contador consultor — alguém que leva clareza, segurança e estratégia — então a reforma tributária pode ser a maior alavanca de crescimento da sua carreira.
Eu, Pedro Nery, enxergo esse momento como um chamado à evolução.
Não é sobre defender a profissão.
É sobre redefinir a profissão.
Só vai sobreviver quem evoluir.
E a decisão começa agora.




